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A Apple deve comprar a Netflix? Será que a era da AppleFlix está chegando?

Introdução

Desde 2016, existem rumores que sobre a compra da Netflix pela Apple. Embora a Netflix seja certamente um alvo muito caro para uma aquisição, com valor de mercado ultrapassando US$ 156 bilhoes [1],) a Apple possui recursos suficientes para realizar tal compra dado que a empresa acumula mais de US$ $ 230 bilhões em ativos líquidos [2]. Portanto, a compra da Netflix pela Apple é um movimento estratégico muito ousado, porém factível.

As razões para o interesse da Apple na Netflix são claras: (i) mais do que nunca, as pessoas estão consumindo conteúdo através de plataformas diferentes, e (ii) até o momento, a Apple não teve sucesso na geração de conteúdo dado que suas ações na indústrias cinematográficas e televisivas ainda nao deram resultados satisfatórios.

A aquisição faz sentido?

Desde um ponto de vista estratégico, a resposta é sim. As receitas originadas pelas vendas de iPhone tem diminuído ao longo do tempo e a Apple ainda não produziu uma alternativa que gere tanta receita quanto o seu produto mais importante. De modo a se tornar menos dependente de vendas de hardware, a Apple precisará investir pesadamente na geração de conteúdo. A compra da Netflix preenche exatamente esse espaco, além de gerar um fuxo de receita recorrente pelas assinaturas dos pacotes da Netflix.

Desde um   ponto de vista de portfolio de produtos, o negócio também faz muito sentido. Streaming e conteúdo original são os elos que faltam para a Apple, portanto, video streaming é uma adjacência perfeita para preencher uma lacuna da empresa: um ecossistema digital que inclui hardware (iPhone e Apple TV, caso este produto se torne um sucesso de vendas) e conteúdo. Como o vídeo está se tornando o conteúdo preferencial para mídia móvel, a Apple não pode ignorar a possibilidade de adquirir a Netflix.

O caminho para o inferno é pavimentado com boas intenções. O que pode errado?

Existem alguns pontos que podem atrapalhar o acordo Apple-Netflix. Primeiro, existem diferenças culturais significativas entre as duas empresas: enquanto a primeria controla rígidamente sua cadeia de valor e seus fornecedores, a Netflix possui uma estratégia mais aberta em relacao ao controle sobre sua cadeia produtiva. A pergunta para qual ainda não temos resposta é: “Qual cultura prevalecerá?”. A realidade é que as diferenças culturais entre  organizacoes costumam assassinar acordos de fusões e aquisições. Sem um plano confiável para ajustar a diferença cultural entre a Apple e a Netflix, é muito provável que o acordo fracasse. Segundo, existem diferenças nas competências de cada empresa. Enquanto a Apple tem sido uma empresa inovadora na criacao de hardware, a Netflix é uma máquina de produzir conteúdo de alta qualidade. Em geral, essas diferenças são conflitantes e mutuamente excludentes. Terceiro, não está claro se o conteúdo da Netflix estará disponível para usuários do Android, o sistema operacional que é o principal concorrente fo iOS. De acordo com Sunil Gupta, da Escola de Negócios da Universidade Harvard [3], se a Apple tornar o conteúdo da Netflix exclusivo para os iPhones, para aumentar receitas com vendas de produtos, isso limitará drásticamente as receitas e o crescimento da Netflix. Portanto, os argumentos para a aquisição entre as duas empresas dependem principalmente de potenciais sinergias que surgiriam após a fusao das empresas.

Existem alternativas para o acordo de fusao e aquisicao?

Existem algumas opções para a Apple e Netflix, em vez de uma aquisição completa para preencher a lacuna da Apple em video streaming. A primeira seria joint venture com outro provedor de conteúdo, como por exemplo algum estúdio de Hollywood. Essa opção daria tempo para a Apple se ajustar a um parceiro tanto com cultura quanto competências diferentes. Em vez de uma AppleFlix, poderíamos ver uma AppleFox ou AppleUniversal? A segunda opcao seria a criação de um próprio canal de streamming da Apple, para imitar a abordagem da Disney [4]. Esse é um movimento muito arriscado, pois já sabemos que as principais competências da Apple estão a anos-luz de distância da geração de conteúdo. Por fim, a Apple pode comprar pequenas empresas de conteúdo, tais estudios independentes e, como videogames, Entretanto, essa ultima opcao nao resolve o principal problema da Apple, que é a falta de oferta de conteúdo.

Conclusão

A diferenciação no segmento móvel tornou-se mais difícil, mesmo para a Apple, que perdeu a liderança em inovação em smartphones, haja vista o recente lancamento do aparelho dobrável da Samsung. Portanto, o desenvolvimento de um ecossistema que inclua hardware e conteúdo soa uma boa ideia para a Apple. No entanto, as sinergias potenciais para a Apple e a Netflix parecem ser muito limitadas no caso de um acordo tradicional de fusão e aquisição entre essas duas empresas. Além disso, há a questão das diferencas culturais entre as organizações. Qualquer sinergia que surgisse com a aquisição deve ser comparada às alternativas pelas quais a Apple poderia obter benefícios licenciando o conteúdo da Netflix, sem ter que adquirir a empresa.. Em conclusão, existem casos de adequação estratégica entre duas empresas que não ocorrem devido a problemas de integração entre as empresas. AppleFix parece ser um deses exemplos.

Referências

[1] https://ycharts.com/companies/NFLX/market_cap Extracted March 7, 2019

[2] https://www.cnbc.com/2018/11/01/apple-now-has-237point1-billion-in-cash-on-hand.html Extracted March 7, 2019

[3] https://www.linkedin.com/pulse/should-apple-acquire-netflix-sunil-gupta/Extracted March 7, 2019

[4] https://www.nytimes.com/2018/08/05/business/media/disney-streaming-service-ricky-strauss.html Extracted March 7, 2019

 

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